Mariposas
A reconstrução, o restabelecimento da ordem, tudo foi muito difícil depois que Nicol Bolas usou toda a Ravnica para se tornar o deus de Multiverso. Nos meses seguintes, lidamos com constantes confrontos com os sem portões. Ele pediam explicações sobre os eternos ainda espalhados pelos chão e quem eram as pessoas que apareceram do nada e saíram do nada. A união das Guilda se fortaleceu com a Guerra, mas os sem portões inquietos traziam tantos problemas quanto antes. Nos meses seguintes, aconteceram constantes reuniões com Niv-Mizzet, o Pacto das Guildas Vivo.
Aos poucos tudo foi se organizando. No comando da Legião Boros, Aurélia continha as multidões de sem portões enfurecidos por perderem suas casas designando soldados de confiança para cada distrito. Eu fui designada para o décimo distrito, minha casa, a qual eu estabeleci a ordem em pouco tempo. Com a ajuda do conclave e dos clãs a reconstrução dos dos prédios foi rápida e tudo foi se organizando para como era antes da invasão.
Um certo dia, fazendo minha ronda, encontrei uma garota aparentemente perdida. Sua pele escura se camuflava a pouca luminosidade que o beco proporcionava. Primeiramente, tentei não assustá-la me aproximando lentamente e dizendo "está tudo bem, menina?". Ao me aproximar as coisas ficavam mais claras. Suas roupas eram trapos aparentemente velhos, seu cabelo era escuro, curto e encaracolado. Ela carregava uma varinha praticamente da sua altura onde várias mariposas sobrevoavam.
Ao me aproximar, minha visão ficava cada vez mais embaçada e em um virar repentino da garota tudo se escureceu. Abri meus olhos e me vi em um lugar lodoso, com árvores e animais mortos. Mariposas voavam por toda a parte e urubus zumbificados as acompanhavam. Em um flash, a garota apareceu na minha frente e, no mesmo instante, desapareceu.
Levantei e comecei a andar até o que parecia uma pequena casa. Dentro dela, havia um pequeno vaso de flores que ao meu toque se transformou em milhares de mariposas. A casa começou a desabar aos poucos e uma estátua de Niv-Mizzet apareceu em seu lugar. Ela estava coberta pelo lodo e almas que percorriam seus braços e pescoço. Elas apertavam a estátua que com a força se estilhaçou sobre mim.
Eu estava de volta ao beco num piscar de olhos. Apavorada e suando frio, ouvi, do fundo do beco, uma voz doce de uma criança dizendo: "Este é apenas o começo". Uma pequena mariposa pousou no meu joelho, olhou nos meus olhos e desapareceu como pó levado pela brisa.
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