Renascer do sol

Os dias seguintes foram mais exaustos que o habitual depois de tudo que aconteceu. Falei com uns professores sobre a luz e os gatos, mas ninguém via lógica naquilo tudo. Passava as tarde depois da aula na biblioteca em meio às pilhas de livros sobre astronomia, mas nenhum achado. nada me dizia o que aconteceu naquela noite. Os gatos se reunindo, uma luz aparecendo no céus, foi tudo um sonho? Mas como foi um sonho se eu acordei com o corpo ralado? Como tudo isso aconteceu.

As férias chegaram e meus estudos se intensificaram, nisso passava o dia na biblioteca em busca d explicações sobre, mas ainda inúteis. Um certo dia, circundado de livros de astrologia, a bibliotecária, dona Ana, saiu do balcão e sentou ao meu lado. Foram minutos de silêncio até que o ranger da porta o matou. Ela foi prontamente atender o senhor que parecia procurar um livro para ler no seu tempo livre. Depois de atende-lo ela voltou a sentar do meu lado.

— Não cansa não menino? — Disse ela

— Canso não, dona Ana — respondi com o rosto nos livros.

— Você não se sente sozinho aqui, estudando? É férias, você devia estar brincando por ai em vez de enfurnado nos livros — outra pessoa entra, agora uma moça. — Um segundo — A biblioteca sempre foi um lugar vazio, mas durante as férias escolares se tornava um verdadeiro deserto e até estendia o motivo dela se aproximar. O silêncio naquele lugar era ensurdecedor. Barulhos pontuais de livro entrando e saindo das prateleiras e o pouco serviço de catalogação deixariam qualquer louco. O atendimento foi rápido e ela logo voltou a sentar ao meu lado — Então o que tanto procura no céu, menino?

— Umas semanas atrás, aconteceu algo muito estranho comigo... — assim contei para ela tudo que aconteceu naquela noite e como todo a pesquisa não levou a lugar nenhum. — Já é a décima vez que olho esse livro e ele continua me dizendo nada de importante. Nada me explica o que aconteceu naquela noite.

— Não pode ser apenas os gatos se encontrando e uma luz de viatura?

— Dona, eu não sei onde você mora, mas onde eu morro não ronda policia assim de noite. Além do mais, como eu desmaiei com uma luz forte e como eu cheguei em casa sem minha mãe saber? Para ela, eu estava no quarto dormindo a noite toda.

— Não foi um sonho, garoto?

— Eu acordei com a perna ralada e alguns cortes leves no braço. Na hora, eu senti algo estranho também como se me chamasse para aquela luz.

— Ave maria, menino. Sonhando com morte — Olhei para ela com um olhar de desaprovação. Analisando bem, não era tão fácil acreditar numa história dessas principalmente vinda de um garoto de 16 anos. — Talvez não seja nada. Algumas coisas não tem sentido em si, menino. Buscar sentido pode ser algo me desgastante principalmente para alguém tão jovem como você. Talvez seja melhor voltar para casa e aproveitar esse tempo livre que você tem por agora.

Eu fechei o livro. Minhas costas ficaram mais pesadas e eu comecei a chorar. Eu não sabia bem o porque das lagrimas, só me sentia mal. Eu fiquei meses em busca de algo que não existia. Idealizei uma descoberta fantástica, eu saindo em jornal, revistas internacionais, mas nada aconteceu. Me senti impotente perante a minha própria vida.

Ela me entregou um lenço que guardava no bolso da sua camisa, se levantou e foi em direção as estantes. Ela voltou segurando um pequeno livro na mão.

— Sai um pouco desse livro e pega esse — era um livro pequeno de contos. — Talvez esse te anime um pouco.

Devolvi o lenço, peguei o livro e sai. Em casa, cheguei e fui direto para o quarto. Ângelo estava deitado encima da minha mesa. Eu me deitei e ele ao meu lado.

— Me diz o que aconteceu aquela noite, amigo — meus olhos estavam cheios de lagrimas. Ele miou. — Isso me assombra desde aquele dia. Quero saber o que aconteceu mas não aconteceu ou existe nada igual aquilo. o que aconteceu aquele dia?

Ângelo pulou pela janela como naquele dia, mas agora ele olhou para trás. Parecia que queria que eu o seguisse. Desci rápido as escada e peguei a bicicleta. Fui até o lugar que vi eles naquela noite. Por cima de mim, uma estrela passava rasgando o céu igual aquela que vi.

Chegando lá, estavam todos em volta da pedra. Ângelo estava mais perto e antes de tocar me olhou. No instante do seu toque, cobri meus olhos e a pedra se abriu. Dentro, havia um um ser viscoso que não aprecia conseguir se comunicar comigo. Ângelo veio perto de mim e me empurrou para mais perto. Miava parecendo que queria que eu tocasse. Relutante toquei e ele puxou meu braço.

Poucas coisas me lembro do que me foi mostrado ali dentro. tive pequenos flashes de criança. Da vez que ganhei o meu primeiro telescópio. Da vez que conversei com os professores sobre astronomia sobre minhas teorias. As tarde que passei na biblioteca estudando. Lembro que algumas coisas me foram reveladas, mas tudo se foi no momento que sai. Não lembro também como voltei para casa igual da ultima vez. Minha mãe disse que fiquei no quarto a noite toda, que tinha desmaiado.

Esse é o segredo que carreguei com Ângelo por toda a minha vida. na manhã que completei dezoito anos Ângelo não estava mais em casa. Minha mãe ficou desesperada. Ajudei ela a espalhar cartazes, anuncio nas redes, mas ninguém achou ele. Fiquei aliviado quando vi um estrela passar pela janela na noite daquele mesmo dia. Ele seguiu seu caminho e eu o meu.

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