Chuva

Naquele momento, decidi me despedir. Me despedi na minha própria casa em meio aos gritos delas. Comigo, uma bolsa com algumas roupas apenas. Chovia forte. A rua estava mais agitada que o de costume. Os carros passavam rápido pelas poças d’água e inevitavelmente me molhavam. Ao passar do terceiro banho dado por um sedan prata, a chuva se tornou mais forte. Molhou meu rosto e minha roupas mais ainda.
Durante o caminhar, me perguntava o que eu fizera pra isso tudo. A culpa de ter feito tudo errado de novo me consumia dos pés à cabeça. No fim, tudo foi culpa minha. Meu amor não foi o suficiente. Devia eu ter dado-lhe mais do que farrapos, mas agora era o fim. Fim de algo que construí por uma grande parcela da minha vida.
No alto do viaduto, vi as luzes da cidade. Luzes que vimos de perto e que nos encantamos na primeira vista. Luzes que nunca mais verei da mesma forma. Naquele momento, decidi deitar por uma última vez. Me deitei com culpa do alto daquele viaduto.
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